Dilma exclui Aveiro da flona do Tapajós

Publicado em por em Oeste do Pará, Política

Flona do Tapajós. Foto: Renato Goes
Trilha dentro da flona do Tapajós. Aveiro agora está fora da reserva. Foto: Renato Goes

Hoje (26) é dia histórico para a cidade de Aveiro, no oeste do Pará.

A presidente Dilma Rousseff sancionou a lei, publicada na edição desta terça-feira do DOU (Diário Oficial da União), que exclui a sede do município, o aglomerado urbano na margem direita do rio Tapajós e parte de sua área rural da floresta nacional do Tapajós.

No total, ficaram fora da flona 5.861 hectares.

Desde que a reserva ambiental foi criada há 38 anos, Aveiro vivia, segundo os críticos dessa situação, “o engessamento” do verde. A construção de um simples obra na cidade era quase sempre emperrada por se achar dentro da flona.

Com a entrada em vigor da lei nº 12.678/2012 essa situação chega ao fim.

Também foram excluídas da flona do Tapajós 4 comunidades localizadas no município de Belterra – São Jorge, Nova Vida, Nossa Senhora de Nazaré e Santa Clara – às margem da rodovia BR-163 (Santarém-Cuiabá), numa área total de 11.990 hectares.

Leia também:
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Aprovada a exclusão de Aveiro da flona do Tapajós.


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5 Responses to Dilma exclui Aveiro da flona do Tapajós

  • Quem foi o autor do projeto de lei complementar? Eu já imagino de quem tenha partido essa brilhante idéia. Vou pesquisar e logo divulgarei, isso é se o seu blog assim permitir.

  • Viva Aveiro! Viva o direito à liberdade de ir e vir.
    Nós éramos, em alguns locais do município, até impedido de chegar, salvo com ‘autorização’, em algum lugar onde queríamos. Era uma, podemos dizer assim, ‘chatisse’ para fazer alguma coisa em Aveiro. Tinha que ter licença daqui, autorização dali, permissão de acolá, às vezes desnecessárias e meras burocracias no intuito de impedir o desenvolvimento da cidade, e assim essa peleja se arrastou por anos e anos.
    Eu, como filho nato de Aveiro, posso hoje respirar fundo e dizer que um dia retornarei à minha cidade com a liberdade, hospitalidade e tranquilidade que ela oferece, sem deixar de ‘blindar’ o verde que ela tem.
    Nós, aveirenses, estamos de parabéns. Ufa!

    1. Se isso era uma desculpa para Aveiro haver um “desenvolvimento”, agora esta aberta para o”desenvolvimento”.
      “Salvo com autorizaçao” depende das intensoes, se era para um desmatamento, com certeza teriam que controlar, senao Aveiro nao seria hoje o que è! Em outros casos nao era necessario…
      E o desenvivolmento nao depende estar dentro ou fora de uma floresta, depende como se entende o que significa desenvolvimento para uma cidade!

  • Jeso, na verdade o município de Aveiro está saindo de onde nunca deveria ter entrado. O que houve, na década dos 70, foi o mesmo que ocorre hoje: o poder central brasileiro desconhece a Amazônia. Na época em que foi criada a FLONA, a Floresta Nacional do Tapajós, em plena ditadura de Médici, o então gestor do IBDF, hoje IBAMA, Ben-Hur Borges, baseado em Santarém, me disse: o presidente criou a FLONA sem sequer saber que existe um município dentro dela. E assim foi. Se não me engano, pelo traçado original dos limites da área de floresta não sobrava nada para a municipalidade, parece até que a pequena cidade se localizava dentro da reserva. Depois retiraram alguns quilômetros em volta e, agora, o município todo sai da área.

    Coisa parecida ocorreu na vila de Boim, no Rio Tapajós, nos anos 80, quando a Amazonex requereu uma imensidão de terras varando do Tapajós para o Arapiuns. A vila ficou dentro da área de exploração madeireira, sem que os moradores pudessem legalmente fazer o que sempre fizeram: abrir roçados, caçar e perambular pela mata extraindo as coisas que natureza oferece. Tempos depois, retiraram a vila do terrenão da Amazonex e “ofereceram” aos moradores 10 quilômetros em volta de Boim.

    Dois exemplos de como são vistos e tratados aqueles a quem hoje muitos chamam solenemente de “povos da floresta”. Como, se a floresta lhes é retirada? Demonstração de que a Amazônia é vista e tratada como um imenso depósito de recursos para engordar as contas bancárias dos donos do capital.

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