Sojeiros são acusados de ameaçar comissão da OEA em Santarém, Sojeiro que atacou lideranças indígenas
Um dos sojeiros que atacou a comitiva da CIDH

A comitiva da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) que esteve Santarém, oeste do Pará, ontem (8) afirma que foi seguida até a comunidade indígena do Açaizal, na região do Planalto, por duas caminhonetes que transportavam sojeiros conhecidos na região.

Na chegada à comunidade, eles teriam insistido em participar da reunião, agendada apenas com lideranças indígenas.

Segundo relato da organização do Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos, os sojeiros fizeram discurso racistas e violentos.

E mais: tentaram identificar as placas dos veículos que levaram os participantes da reunião até Açaizal, no que a comitiva interpretou como atitude de intimidação.

Após a intervenção da polícia, os sojeiros deixaram o local.

A CIDH, vinculada à OEA (Organização dos Estados Americanos), é encarregada pela promoção e proteção dos direitos humanos no continente americano. 

Momento do ataque de um dos sojeiros

Nota Pública – Não nos calaremos!

“As 34 organizações, do campo e da cidade, que compõem o Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos (CBDDH), manifestam sua preocupação e vêm a público denunciar as ameaças e intimidações sofridas à Comitiva da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), autoridades brasileiras, lideranças indígenas, defensoras e defensores de direitos humanos e representantes de organizações da sociedade civil, nesta quinta-feira (08), em Santarém (PA).

Mesmo com proteção policial, a Comitiva foi seguida até o território indígena do Açaizal, localizado no Planalto santareno, por duas caminhonetes que transportavam sojeiros conhecidos na região.

Na chegada ao território, os ocupantes das caminhonetes insistiram em participar da reunião, agendada apenas com as lideranças indígenas.

Proferiram discursos racistas e violentos contra os presentes e tentaram, ainda, identificar as placas dos carros, veículos e vans que levaram os participantes da reunião até o território, em uma atitude clara de intimidação. Somente após serem interpelados pela polícia deixaram o local.

As organizações do Comitê repudiam essas atitudes, assim como a violência contra os indígenas do território do baixo Tapajós e em todo o país, considerando a escalada de violência contra essas populações nos últimos anos e que, somente na última terça-feira (06), fez duas vítimas: o assassinato do líder indígena Reinaldo Silva Pataxó, morto a tiros na aldeia Catarina Caramuru Paraguassú, em Pau Brasil (BA), e o atentado a tiros contra o indígena Donecildo Agueiro, Avá-Guarani, do território Tekoha Tatury, em Guaraí (PR).

Exigimos também que o Estado brasileiro garanta condições de segurança para que todas as agendas previstas na visita oficial da CIDH ao Brasil, que encerra no dia 12 de novembro, ocorram sem mais incidentes.

Avaliamos ser de extrema importância que, nesse momento de crescente violência contra defensoras e defensores de direitos humanos, as organizações internacionais possam cumprir com seu papel de investigar as inúmeras violações de direitos que ocorrem no país.

Não nos calaremos!”

Com informações do jornal O Globo e redação do blog

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